Como estrela
maior na constelação das especiarias, está a incontestável Pimenta-preta (Piper
nigrum), sendo a piperina o alcalóide responsável
pela sensação picante da pimenta-preta, originária do subcontinente
indiano, introduzida na bacia mediterrânica nos meados do ultimo milénio a.C.
por via dos mercadores da rota da seda, e tendo como principal entreposto o
porto de Alexandria, utilizando a rede comercial fenícia, foi difundida e
distribuída por todo império Romano. Devido à diminuta quantidade de pimenta
que chegava aos mercados por força das elevadas quantias pagas (em género) no
transpor das inúmeras fronteiras, desde a Índia ao porto de Alexandria, o seu
valor aumentava exponencialmente, atingindo cotações semelhantes ás do ouro por
alturas do séc. V a.C., fazendo com que alguns governantes da bacia
mediterrânica tentassem encontrar formas mais seguras e eficazes de sanar essa
problema. Tomando como exemplo o faraó Neco ll, que em 610 a .C., segundo Heródoto geógrafo e historiador grego do séc. V a.C. , teria patrocinado com
êxito uma expedição fenícia, que realizou o Périplo ou seja a circunavegação
de África, após fracassar na tentativa de construir um canal que unisse o mar
Vermelho com o Mediterrâneo, canal
esse, que viria a ser construído com êxito 24 séculos depois. Este feito, o Périplo, viria a ser realizado e
confirmado uns tantos séculos mais tarde, por Vasco da Gama em 1498, aquando da
descoberta do caminho marítimo para a India, tornando a coroa Portuguesa
(Lisboa) no maior entreposto de especiarias de então e destronando os seus mais
diretos rivais, Génova e Veneza, términus por excelência da famosa rota da seda. Assim
sendo, ficamos a saber que a importância dada às especiarias não era mais que a
raridade das mesmas, não que não pudessem ser replicadas com a mesma quantidade
e qualidade em outras paragens e outras latitudes, algo que viria a ser tentado
séculos mais tarde por outros aventureiros, por sinal com bastante êxito para
os seus países, descentralizando esses centros de produção para paragens mais
próximas, nas suas colónias tanto em África, como na América do Sul ou Central,
beneficiando do clima e posicionamento geográfico, demonstrando assim o peso
politico, estratégico e económico das especiarias, fundamentalmente a pimenta.
A par da pimenta e
igualmente oriundo de paragens do sudoeste asiático, nativa das ilhas Molucas, na Indonésia, o Cravo-da-índia
(Syzygium aromaticum), vulgarmente conhecido na culinária por “Cravinho”
é na verdade um botão de flor seco, uma especiaria utilizada como condimento,
para fins medicinais e cosméticos desde tempos imemoriais, detentor de um sabor
e aroma agradáveis fora do comum, daí ser utilizado na culinária de todo o
mundo com o intuito de tornar os alimentos mais apetitosos.
Na mesma latitude
encontramos a Noz-moscada (Myristica fragans), também ela
transportada e comercializada por mercadores árabes na república Veneziana e no
porto de Génova, distribuída pela Europa a preços exorbitantes até 1512, ano em que Afonso de
Albuquerque conquistou Malaca, passando o monopólio da noz-moscada para o
domínio português até meados do séc. XlX, quando esta e outras especiarias
foram disseminadas e cultivadas pelos impérios concorrentes na época (Britânico
e Holandês), nas costas oriental e ocidental de África e Caraíbas, tornando-as
acessíveis no mercado liberalizado, tornando-se vulgar em qualquer cozinha de
quase todas as classes sociais.
Voltando às qualidades e
benefícios da noz-moscada, devido ao seu odor e sabor algo intensos, é
normalmente utilizada para temperar determinados alimentos, tornando-os mais
apetitosos, devendo ser usada em quantidades reduzidas, de preferência moída no
momento, permitindo alguma subtileza em certos pratos de carne e servindo
também para aromatizar alguma doçaria tradicional.
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